Prevenção do câncer de pele vai além do uso de protetor solar

Dermatologistas explicam como se proteger adequadamente dos raios solares

Com a chegada do verão e das férias de fim de ano, é comum que muitas pessoas frequentem praias e piscinas, aumentando a exposição ao sol. Em um país tropical como o Brasil, onde o sol é intenso, a falta de proteção adequada eleva os riscos de desenvolvimento de câncer de pele.

Durante o Dezembro Laranja, campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o objetivo é conscientizar a população sobre a prevenção dessa doença. O câncer de pele é caracterizado pelo crescimento anormal e descontrolado de células da epiderme, a camada mais superficial da nossa pele.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre 2023 e 2025, estima-se o registro de mais de 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma, que, apesar de serem os mais comuns, possuem altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente.

Como identificar o câncer de pele?

O dermatologista David Dirceu, membro titular da SBD, explica que, para identificar os sinais precoces do câncer de pele, é necessário observar lesões que não cicatrizam, apresentam crescimento acelerado ou se diferenciam das demais lesões no corpo. “Uma maneira prática de identificar lesões suspeitas é por meio da regra ABCDE, em que cada letra significa um sinal de alerta. O A se refere à assimetria da lesão, o B a bordas irregulares, o C quando a lesão tem mais de uma cor, o D de diâmetro, pois lesões com mais de 5 milímetros merecem atenção especial, e o E significa evolução, quando há mudanças e crescimento acelerado na lesão”, esclarece.

Observar o surgimento precoce de manchas e pintas no corpo pode ajudar no diagnóstico, no tratamento e na cura do câncer de pele (Foto: Divulgação)

Existem tipos de pele mais suscetíveis ao câncer de pele?

Se, em vez de bronzear, sua pele fica vermelha ou queimada ao se expor ao sol, ela está mais propensa ao desenvolvimento de câncer de pele. Isso acontece porque as peles mais claras apresentam maiores riscos. Além disso, outros fatores, como características genéticas e hereditárias, presença de sardas, pintas, lesões pré-cancerígenas, histórico de queimaduras solares, especialmente na infância, e a idade acima de 65 anos, também influenciam.

Pessoas com pele clara costumam ser mais suscetíveis a queimaduras durante o verão (Foto: Divulgação)

Câncer de pele tem tratamento?

O tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e inclui opções como cremes tópicos, cirurgias e, em casos avançados, quimioterapia. A escolha depende do tipo e do estágio do câncer no momento do diagnóstico.

Protetor solar é tudo igual?

Existem diversos tipos de protetor solar, cada um indicado para diferentes características de pele. Todos possuem um fator de proteção solar (FPS), que determina o tempo de exposição ao sol sem causar queimaduras — quanto maior o FPS, maior a proteção. As diferenças estão na composição e na forma de atuação: protetores físicos refletem a radiação solar, enquanto os químicos a absorvem e a convertem em calor.

A escolha do protetor solar ideal varia conforme o tipo de pele e as condições de exposição ao sol. Por exemplo, pessoas com tatuagem se beneficiam do uso de protetores físicos, que evitam o calor produzido pelos protetores químicos em uma pele já sensibilizada pelo procedimento.

A dermatologista Roberta Paccola destaca que os protetores físicos oferecem a vantagem de proteção imediata após a aplicação, sendo recomendados para peles sensíveis, gestantes e crianças, embora possam deixar um aspecto esbranquiçado devido à textura mais espessa. Já os protetores químicos, mais leves e indicados para uso diário, podem causar irritação em peles sensíveis e devem ser aplicados 30 minutos antes da exposição ao sol.

Qual o protetor mais indicado para o meu tipo de pele?

Para escolher o protetor solar ideal é fundamental consultar um especialista. A dermatologista Thais Buffo, assessora do departamento de oncologia cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica as diferenças entre os tipos de protetores e suas indicações.

Protetores oil-free

Os protetores solares oil-free são recomendados para quem tem pele oleosa ou tendência à acne e cravos (comedões). Por não conterem óleo em sua composição, geralmente possuem toque seco, sendo mais adequados para esse tipo de pele.

Protetores com cor

Os protetores com cor possuem pigmentos em sua formulação, formando uma barreira física adicional. Além de ajudarem a cobrir manchas, oferecem maior proteção contra a luz visível, sendo especialmente indicados para pessoas com melasma.

Protetores hipoalergênicos

Esses protetores possuem compostos com baixo potencial de irritação, sendo indicados para pessoas com pele sensível.

Infantil – Adulto

Os protetores infantis, geralmente formulados com filtros físicos, são mais resistentes à água e suor e podem ser hipoalergênicos. Já os protetores para adultos costumam ter uma textura mais agradável e, na maioria das vezes, são feitos com filtros químicos.

Diferença entre as apresentações creme, óleo, spray e loção

A escolha do tipo de apresentação depende da área de aplicação e do tipo de pele. Loções são ideais para grandes áreas, sprays são indicados para áreas com pelos, e géis são mais adequados para peles oleosas. Cada forma possui os mesmos fotoprotetores, mas é ajustada para diferentes necessidades.

A reaplicação do protetor solar é fundamental para garantir a eficiência e a proteção contra a radiação solar (Foto: Divulgação)

Além do protetor solar, como se proteger dos raios solares no verão?

Se você acredita que apenas o protetor solar é suficiente para se proteger dos raios solares, está enganado. O dermatologista Guilherme Modesto explica que, durante o verão, é essencial tomar banhos frios para evitar a desidratação da pele e aplicar protetor solar no rosto e no corpo, nas áreas expostas. Em locais de maior exposição, como praias e piscinas, é fundamental reaplicar o protetor, especialmente em áreas como orelhas, lábios e a região da calvície, pois é muito comum o desenvolvimento de câncer de pele nessas áreas. Além do protetor solar, acessórios como óculos escuros, chapéus, bonés e barracas de praia também são importantes para complementar a proteção.

O dermatologista David Dirceu também ressalta a importância do uso do protetor solar, mesmo em dias nublados: “A falsa sensação de que temperaturas amenas não representam risco é um equívoco. A radiação solar, mesmo que em níveis baixos e frequentes, pode causar alterações celulares que predispõem ao câncer de pele.”

Além disso, é importante evitar a exposição entre 10h e 16h. Para atividades inevitáveis nesse horário, é recomendado usar roupas de proteção ultravioleta, que realmente funcionam. Além disso, deve-se aplicar o protetor solar com um fator de proteção alto, reaplicando-o a cada duas horas, como explica Modesto.

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