Meninos Rei estampa a ancestralidade com Suco de Axé na SPFW

A grife desfilou na última quarta-feira na Semana da Moda de São Paulo

Ze Takahashi/ @agfotosite

Ao falar de Meninos Rei, falamos de cultura, cores e geometria. Na passarela da São Paulo Fashion Week 58, a grife, que comemora 10 anos, ilustra a ancestralidade baiana e todo o estilo de vida de quem nasceu na Bahia em sua nova coleção, Suco de Axé. Os diretores criativos, irmãos Júnior e Céu Rocha, trouxeram o puro suco do axé da Bahia para a capital paulista. É a alegria que todo soteropolitano tem.

Em entrevista, os diretores criativos disseram que estão fazendo uma transição entre os tecidos africanos, que são estampas muito marcantes e normalmente geométricas, coloridas, e cheias de simbolismos, para estampas com a cara da marca, a cara do Brasil, a ancestralidade brasileira. No desfile, é possível enxergar indícios de que essa mudança já começou – no beachwear, por exemplo, trouxeram uma visão mais urbana, indo de biquíni e sungas até leggings, vestidos e macacões, todos recortados, como se fosse uma alusão ao que se vê no dia a dia de um baiano.

Novidades na coleção 

Uma novidade na coleção foi a utilização da cor branca, ou seja, de looks monocromáticos, sem muitas estampas e cores. A atriz Deborah Secco, em especial, entrou com um vestido branco elegante, com muitos recortes e linhas fortes, para mostrar que a marca está ali, com força das linhas, não exclusivamente pelas estampas. A alfaiataria também é uma peça inesperada, mas que se encaixa completamente na proposta dos irmãos. 

Além disso, há destaque para os acessórios feitos à mão por quilombolas de Pitanga dos Palmares e de Dandá. Foram produzidas cerca de 170 peças que incluíam chapéus, bolsas, pulseiras, colares e até mochilas feitas de palhas da costa, palhas de piaçava e miçangas.

@agfotosite

Participações especiais

Para a trilha sonora se encaixar perfeitamente com o contexto e a musicalidade baiana, é claro que não poderia faltar o axé. Meninos Rei trouxe a participação de Beto Jamaica e da Sheila Mello, ex-integrantes do grupo É o Tchan, que trouxeram a nostalgia certeira dos anos 90 para a passarela – com direito a coreografia e tudo. 

É crescente a necessidade de marcas, como a Meninos Reis, representarem o Brasil como ele é, de interpretarem o país como enxergam. São processos criativos interessantes que transparecem nas estampas e figuras. Na grife baiana você têm frases que fazem parte da rotina brasileira, como “pega a visão”, uma expressão muito utilizada no Rio de Janeiro, mas que o Brasil inteiro se apodera. Isso só mostra a a versatilidade do brasileiro e a criatividade no sentido de utilizar o urbano não como se imagina, mas como ele é. Essa característica, pouco vista e pouco celebrada, é o que Meninos Rei escolhe trazer para a passarela.

Marcelo Soubhia/ @agfotosite

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